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domingo, 28 de outubro de 2012

Por prazer ...


Há algumas horas postei uma mensagem na linha do tempo de meu perfil no Facebook. Ali, pedia desculpas pois não poderia escrever o texto do dia devido a um problema de tendinite no pulso. Porém, alguns amigos virtuais, e também leitores, começaram a me enviar mensagens; Percebi que dar a eles o texto do dia era mais importante do que repousar para melhorar ou evitar a dor.

Semana passado derramei café no teclado de meu computador enquanto trabalhava em meus textos. Algumas teclas foram danificadas e deixaram de  funcionar. Control, Alt, Caps Lock, Shift e outras teclas do teclado principal, além de toda a parte numérica e de operações matemáticas do teclado auxiliar, não respondiam aos cliques. Segui digitando meus escritos por mais vinte e quatro horas. Contudo para que pudesse colocar aspas, interrogação, ponto final e vírgula nas frases precisava copiar e colar estes caracteres de outros textos. Mesmo assim escrevi o texto do dia naquela tarde. E muitas outras mensagens em meus perfis do Facebook, Google Plus e Twitter. 

No dia seguinte pesquisei o preço dos teclados. Um igual ao antigo custava além do que poderia investir. Juntei minhas economias e comprei o mais simples. Foi o suficiente para mais umas semana de textos, conversas, postagens, interação e outras produções que requerem o uso do teclado. Porém ignorei que o teclado novo não possuía o apoio para o pulso. Requerido para quem usa o computador por mais de três horas por dia diariamente.

Após uma semana de textos, conversas e outras postagens senti nesta manhã uma enorme dor no pulso. Achei que não poderia postar o texto do dia. Evitei teclar com amigos e resumi a navegação ao uso do mouse. Porém percebi que mais importante do que abster-me da dor é publicar aquilo que precisa ser dito. Acabei improvisando um apoio para o pulso com um pedaço de madeira.

Por um momento reclamei da situação. Lembrei que um jornalista multimídia, escritor e blogueiro precisa estar equipado para que o trabalho possa ser realizado  Uma boa máquina, uma boa câmera, uma boa filmadora, uma boa velocidade de acesso à internet, dispositivos móveis, além do conhecimento básico de softwares de edição e mais. É como o taxista e o caminhoneiro que precisam do seu veículo para poder trabalhar. Não necessariamente do melhor, mas do suficiente para que possam realizar o seu trabalho.

Na mesma hora me dei conta que aquilo estava soando como uma reclamação ao meu próprio entendimento. Então lembrei de agradecer a Deus por estar online e conectado. Lembrei também de que menos de trinta por cento da população brasileira tem acesso à internet diariamente. Senti-me um privilegiado por poder estar, apesar da dor, escrevendo estas palavras.

Tudo isso mostra que é muito mais importante valorizarmos aquilo que possuímos, com gratidão e reconhecimento do que reclamar das adversidades que encontramos no dia-a-dia. Valorizarmos também o apoio daqueles que valorizam o nosso trabalho. E sobre todas as coisas, descobri que mais determinante do que os empecilhos é o desejo de realizar um objetivo. A vontade vai além da dor. Este texto é o exemplo disto. Dedico àqueles que me pediram para escrever. 

J.P.D. 

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