João e o pé de feijão na Arca de Noé
O céu de 2037 não tinha nuvens de chuva; tinha anjos de fogo. Eles desciam em rastro de fumaça, trazendo nos braços os mísseis do juízo final. A guerra nuclear que os humanos tanto temeram na Terra não veio dos homens, mas de uma disputa celeste que derreteu o firmamento.
Lá embaixo, o velho Noé martelava as últimas tábuas de gálio e madeira de acácia na gigantesca Arca. Ao seu lado, um jovem camponês chamado João olhava para o topo do mastro principal, onde um feijoeiro colossal serpenteava em direção ao infinito. João não tinha trocado sua vaca por feijões mágicos para conseguir ouro, mas para salvar o que restava do mundo.
— Eles estão lançando a primeira salva! — gritou João, apontando para o leste, onde o horizonte se acendia em um azul atômico.
— Subam todos! — rugiu Noé, enquanto os casais de animais corriam, em pânico, para o estômago de madeira da embarcação. — O fogo vai ferver o oceano, João! A Arca aguenta a água, mas o calor dos anjos vai nos transformar em cinzas!
João sabia disso. Ele correu até a base do pé de feijão, que crescia metros por segundo, alimentado pelas lágrimas da própria Terra ferida. Suas folhas eram tão largas quanto escudos e tão espessas que bloqueavam a radiação.
Enquanto os mísseis cruzavam a estratosfera, os anjos de fogo entoavam um canto de destruição. O calor começou a descer. As árvores ao redor da Arca viraram carvão num piscar de olhos. A água do rio começou a borbulhar.
— Agora, João! — clamou Noé, fechando a pesada porta da Arca.
João escalou os primeiros ramos do feijoeiro com a agilidade de quem já tinha enfrentado gigantes. Mas ali, o gigante era o próprio sol caindo. Ele alcançou a gema principal da planta, o coração pulsante do pé de feijão, e cravou ali uma semente dourada que guardava no bolso — o último presente da sua mãe.
O pé de feijão sofreu uma metamorfose instantânea. Em vez de apenas crescer para cima, ele abriu seus ramos horizontalmente, tecendo uma cúpula verdejante e impenetrável sobre a Arca de Noé. As folhas gigantescas se sobrepuseram como escamas de um dragão vegetal.
Quando os mísseis dos anjos atingiram a atmosfera superior, a barreira botânica de João aguentou o impacto. O fogo nuclear colidiu contra o escudo de clorofila mágica. A explosão gerou um clarão que cegaria qualquer mortal, mas as folhas do feijoeiro absorveram a energia pura da radiação, transformando a morte em fotossíntese hiperbólica.
Lá dentro, Noé e os animais sentiram apenas um solavanco e o som de um trovão cósmico. O mundo lá fora queimava, mas a Arca estava protegida pelo abraço verde do feijoeiro. O calor extremo derreteu as calotas polares instantaneamente, gerando o Grande Dilúvio que Noé tanto esperava, mas a Arca flutuou, ancorada e protegida pelo caule indestrutível.
Lá no alto, vendo que a vida insistia em pulsar através da união da fé de um velho e da magia de um jovem, os anjos de fogo recolheram suas armas. O céu, finalmente, começou a esfriar.
Dias depois, quando as águas baixaram e a Arca repousou no topo do que sobrou de uma montanha, João e Noé abriram a janela. O pé de feijão havia cumprido seu papel e agora secava, deixando no solo renovado milhares de novas sementes. O mundo estava salvo, pronto para ser plantado outra vez.
Escrito com IA by #julianopazdornelles
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